Como aprendemos?

Aprender um novo idioma ou qualquer matéria na verdade é algo que vai muito além da técnica, a metodologia é apenas uma parte do aprendizado. O que o nosso sistema atual de educação falha em ver é que cada pessoa aprende de uma forma muito particular. Cada um trilha um caminho próprio para chegar ao aprendizado. A personalidade de cada pessoa é um reflexo do que está em seus interiores, e tal como cada um é único, o sistema não deveria impor uma forma que presume ser eficiente para todos como uma fórmula infalível de ensino. Ao fazer assim, tira-se a liberdade de expressão e evolução da personalidade do ser, impondo que alunos sigam e se adaptem a um sistema que, na maioria dos casos é arcaica e já não serve mais como referência para a juventude, a nova geração de hoje. Os métodos em geral excluem o emocional.

Os seres humanos não são máquinas para que fiquem apenas memorizando velhas ideias que em nada acrescentam em seu desenvolvimento e muito menos no desenvolvimento de novas ideias para a aplicabilidade num futuro com diferentes perspectivas. Os jovens precisam estar num ambiente cuja liberdade de expressão não seja apenas uma linda ideia divulgada, mas praticada. Fazer com que tenham chance de pensar e falar sem medo de sofrerem reprimendas por suas ideias serem diferentes de seus professores em sala. A ideia de certo e errado, de provas e notas vermelhas ou azuis é um sistema que limita a expansão de conhecimento, pois o aluno é obrigado a saber o que o professor ou a apostila considera certo e errado.

Como então podem eles fazer uso de um sistema de liberdade de expressão que é apenas uma ideia? Vejo as pessoas sendo rotuladas como bons ou maus alunos, pessoas com mais ou menos facilidade de aprendizado, quando na verdade, cada um tem seu próprio tempo para aprender. Não há quem não possa aprender, não há alunos mais ou menos capacitados, há apenas alunos com sistemas de aprendizagem interno particulares. As escolas em geral não procuram entender essas particularidades e assim quando se fala em bons ou maus alunos, na realidade, estamos tirando das pessoas chances que elas teriam de se descobrir e acreditar em si mesmas. Ao pensar nos alunos de forma limitante, estamos como no papel de educadores limitando também essas pessoas, ao desacreditar na capacidade de desenvolvimento de cada um.

livro

Como pode um professor levar um aluno por um caminho que ele nunca percorreu? Se ele não vê além, não pode conduzir ninguém a ver além também. Colocando assim um sistema arcaico de crenças nos quais os jovens podem se identificar e instalar tal como um programa e levar essas crenças limitantes de inteligência e capacidade adiante na vida, talvez perdendo oportunidades de serem tudo aquilo que podem ser perderem a chance de se reinventarem, se recriarem, de pensar em novas ideias e novas soluções, tudo porque foram reprimidos ou rotulados na educação básica.

Crenças são tudo aquilo que de forma consciente ou inconsciente se manifesta em nossas vidas. Muitos vivem inconscientes e não percebem o looping repetitivo de padrões em suas vidas. Como então podemos criar um mundo novo com ideias velhas? Um mundo de looping?

Cada um tem o direito divino de expressar o que está em seus interiores sem medo de ser repreendido. Aqueles que souberem disso estarão mais próximos de suas verdades interiores. Dito isso, um educador deve saber do poder da palavra, do poder de um momento vulnerável onde uma palavra certa pode fazer com que a pessoa quebre barreiras e vá longe, assim também uma palavra errada pode fazer com que uma pessoa carregue um trauma desnecessário para o resto da vida.

Qual é o papel de um professor senão o de despertar o melhor de cada um? O de perceber que todos têm muito a oferecer? Aquele que diz que você pode ser quem você quiser ser contanto que haja dedicação e empenho? Aquele que passa sua experiência de vida por anos e anos? Qual é então o poder de uma palavra? Qual é a importância de uma boa comunicação? Qual é a importância de despertar para uma nova realidade que engloba muito mais? De saber que aquela pessoa que está na sua frente é um ser humano em desenvolvimento, com emoções e sentimentos, vulnerabilidade, assim como o próprio educador?

O quão é importante ter empatia e tentar compreender a realidade do outro? O mundo em que o outro vive? Qual é a importância de entrar numa jornada de autoconhecimento para aprendermos mais e mais sobre nós mesmos? Será que podemos desejar que o outro se descubra e expresse o que está em seu interior se ainda não fizemos o mesmo? Será que eu posso ter uma visão mais ampla das coisas se vivo dos rótulos e expectativas a mim atribuídas pela sociedade na qual cresci? Será que posso tentar um novo sistema sem compreender que eu mesmo tive que me modelar modificar e adaptar a um sistema antigo que nem sempre fez sentido para mim? Será que as coisas não poderiam ser melhoradas? Uma aula apenas falada é o suficiente para que todos aprendam? Um texto passado na lousa é? Uma leitura saída de um livro com ideias prontas é? Isso basta? Atinge a todos?

E aqueles que precisam de mais? E aqueles que tiverem outro jeito de aprender? Estão sendo privados de atingir seu potencial? Não terão as mesmas oportunidades?

Será que um aluno que tira 10 tem mais chance na vida após a escola do que aquele que tira zero? Um sistema de provas é eficiente para avaliar o quanto cada um absorveu das aulas?

Com essas perguntas eu encerro dizendo: Qual é a diferença que pode ser feita no mundo através da educação? O que as crianças de hoje vão levar para a vida adulta? O que podemos fazer agora para dar início à mudança? – Também finalizo, se fizer sentido para quem estiver lendo esse texto, com uma sugestão: comece primeiro ficando consciente de suas próprias crenças, comece de dentro para ver manifestado no seu exterior as mudanças. Assim e só assim, você poderá mostrar a outros os caminhos pelo qual percorreu.

Aline L. Defendi

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